Diário do Eletroposto · Capítulo 9

A proposta que o posto de gasolina recusou

O dono gostou da proposta, mas preferiu a empresa que já operava o carregador dele.

Depois de dois sim, veio um não — e esse não me ensinou mais que muitos dos sim. Conversei com o dono de um posto de gasolina que já tinha um carregador operado por outra empresa. Achei o espaço para propor mais equipamentos e mandei minha proposta.

Passei os últimos dias estudando o ponto, montando números e escrevendo a proposta. Mandei, esperei. E a resposta veio em forma de mensagem, bem educada, que resumia o problema de quem está começando em uma frase só.

“Gostei da sua proposta, a gente ainda vai fazer negócio no futuro. Mas, por ora, como você ainda não tem experiência prática, prefiro seguir com a empresa que já está operando e fazendo as coisas comigo.”

Ele não reclamou de preço, de equipamento ou de plataforma. O critério foi outro: histórico. Enquanto a concorrente já tem eletroposto instalado, operando, com pagamento funcionando e gente carregando, eu tinha uma proposta bem-feita e um contrato de valet no currículo.

CritérioEmpresa já operandoQuem está começando
Risco percebidoBaixo — já funcionaAlto — sem histórico
Prova práticaPosto no ar, cobrandoProposta no papel
Suporte e operaçãoJá testado no dia a diaPor validar
Custo de trocarAlto—
Como o dono enxerga quem está no ponto agora

Do lado dele, a decisão é racional: ninguém quer ser o laboratório de um negócio novo quando já tem alguém resolvendo o problema. A lição que fica é direta: teste, coloque algo funcionando e validado pelo mercado. Com um eletroposto operando, fica muito mais fácil iniciar os próximos negócios — o histórico vira argumento de venda.

E o que fazer depois de um não? Continuar buscando. Sigo procurando outros postos, agora com uma apresentação e uma proposta prontas para enviar, focadas em carregadores rápidos mais baratos — de menor potência e menor investimento. Assim a aposta inicial fica baixa para mim, o ponto recebe um carregador rápido que gera faturamento e, com o tempo, dá para escalar a operação ali mesmo.

Recusa não é o fim da conversa: o dono deixou claro que quer fazer negócio no futuro. Guardar esse contato com carinho e voltar quando eu tiver mais eletropostos no ar é parte do jogo.

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