Nem todo mundo nos eventos quer dividir experiência. Conversei com uma pessoa que claramente não estava ali para ajudar quem começava. Mesmo assim, tentei extrair o melhor daquela troca. E saiu algo útil.
Na época, minha ideia era desenvolver a própria plataforma da Apollo Energy. Só que essa pessoa falou algo que me fez parar: plataformas de terceiros já têm muitos clientes. As pessoas entram nelas para pesquisar onde carregar, e isso pode fazer diferença no começo, quando o ponto ainda não tem tráfego próprio.
| Aspecto | Plataforma própria | Plataforma de terceiros |
|---|---|---|
| Tráfego inicial | Baixo, você constrói do zero | Já existe base de usuários |
| Margem | Você fica com tudo | Comissão por transação |
| Base de clientes | É sua | É da plataforma |
| Marca | Identidade própria | Você vira mais um card na lista |
| Flexibilidade de preço | Total | Limitada pelas regras da plataforma |
Fiquei com ressalvas — e ainda tenho. Primeiro porque eu não tenho carro 100% elétrico: o meu é híbrido plug-in, com carregador lento e tomada Type 2, e raramente uso carregador na rua. Segundo porque depender só de uma rede grande me incomoda: você perde controle, margem e identidade.
Mas a hipótese é válida e eu quero testar. A resposta provavelmente está no meio termo: usar a rede para trazer os primeiros usuários enquanto constrói uma base própria de clientes recorrentes — com equipamento em OCPP 1.6J, 2.0.1 ou 2.1, você pode trocar de plataforma sem trocar o hardware.
No fim, ele se fechou: disse que não podia abrir muita coisa porque eu seria concorrente. Uma parte eu entendo. Outra eu discordo: o mercado brasileiro é enorme e nenhuma empresa sozinha vai saturar o volume de todo mundo. Por isso resolvi compartilhar essa saga.
