Potência máxima de carga DC dos carros elétricos no Brasil
A potência de recarga rápida é limitada pelo carro, não só pelo carregador. Um BYD Dolphin Mini, por exemplo, aceita no máximo 40 kW de DC, então não importa se o eletroposto é de 60, 120 ou 180 kW: ele nunca passará de 40 kW. Além disso, carregadores com dois bicos dividem a potência total quando há dois veículos conectados.
É comum ouvir: "vou parar num eletroposto de 120 kW para carregar rápido". Mas a velocidade real depende de duas coisas: a potência do carregador e a potência máxima que o carro aceita. Se o veículo só consegue absorver 40 kW, os outros 80 kW do posto ficam intocados. Abaixo você vê a capacidade real de carga DC dos principais modelos vendidos no Brasil e entende quando faz sentido pagar mais por um carregador mais potente.
Como funciona a limitação do carro
O carregador DC converte a corrente alternada da rede em corrente contínua e entrega energia diretamente na bateria. O veículo, porém, tem um controlador de carga que define o quanto de energia pode entrar de uma só vez. Esse limite é determinado pela arquitetura da bateria (tensão), refrigeração e software do fabricante.
Por isso, um eletroposto de 180 kW não "força" o carro a carregar mais rápido. Ele apenas oferece mais potência. Se o carro não consegue aceitar, a sessão fica limitada à capacidade do veículo. O ideal é escolher um carregador que supra a demanda do modelo, com folga, mas sem pagar por potência que nunca será usada.
Potência de carga DC dos compactos e de entrada
Os elétricos mais acessíveis do Brasil costumam ter baterias menores e refrigeração simples, o que limita a carga rápida a valores entre 30 kW e 70 kW. Para o uso urbano e rodoviário ocasional, isso é suficiente: de 30% a 80% da bateria leva de 25 a 40 minutos em um carregador compatível.
| Modelo | Bateria | Potência máxima DC |
|---|---|---|
| Renault Kwid E-Tech | 26,8 kWh | ~30 kW |
| BYD Dolphin Mini | 38,8 kWh | 40 kW |
| BYD Dolphin | 44,9 kWh | 65 kW |
| GWM Ora 03 | 58 kWh | 67 kW |
| Volvo EX30 | 69 kWh | 153 kW |
Aqui fica claro o exemplo prático: levar um BYD Dolphin Mini a um eletroposto de 120 kW não muda nada. O carro vai puxar 40 kW no máximo. O que ele precisa é de um carregador de 40 kW ou mais, com um bico livre. Nesse caso, um posto de 40 kW entrega exatamente o mesmo resultado — e costuma ser mais barato para o operador.
Potência de carga DC dos intermediários
Na faixa intermediária, os modelos já trazem arquiteturas de 400 V ou 800 V e conseguem aproveitar carregadores de 150 kW a 260 kW. São carros para quem viaja mais e quer paradas rápidas na estrada.
| Modelo | Bateria | Potência máxima DC |
|---|---|---|
| Renault Megane E-Tech | 70 kWh | 165 kW |
| Peugeot e-3008 | 73 kWh | 160 kW |
| BYD Seal | 82,5 kWh | 150 kW |
| Hyundai Ioniq 5 | 84 kWh | 260 kW |
| Kia EV6 | 84 kWh | 260 kW |
Hyundai Ioniq 5 e Kia EV6 são exemplos de carros que realmente aproveitam carregadores de alta potência. Com 260 kW de pico, eles conseguem ir de 10% a 80% em cerca de 18 minutos em um posto compatível. Já o BYD Seal, apesar de ser um sedã premium, limita a carga a 150 kW — ainda rápido, mas não no mesmo patamar.
Potência de carga DC dos elétricos de luxo
No segmento de luxo, as arquiteturas de 800 V e as baterias maiores permitem picos elevados. Porém o custo do carregador e da infraestrutura também sobe, então a escolha da potência do eletroposto deve bater com o perfil dos veículos que vão usar o ponto.
| Modelo | Bateria | Potência máxima DC |
|---|---|---|
| Audi Q8 e-tron | 114 kWh | 170 kW |
| BMW iX xDrive50 | 111,5 kWh | 195 kW |
| Porsche Taycan | 89 kWh | 270 kW |
| Mercedes EQS 450+ | 108,4 kWh | 350 kW |
| Volvo EX90 | 111 kWh | ~250 kW |
Mercedes EQS e Porsche Taycan são os que mais aproveitam carregadores de 350 kW. Já o Audi Q8 e-tron e o BMW iX ficam na faixa de 170 kW a 200 kW, o que ainda é excelente, mas não exige um posto de 350 kW para funcionar bem. O Volvo EX90, em versões vendidas no Brasil, opera com picos na casa dos 250 kW.
E os híbridos plug-in?
A maioria dos híbridos plug-in vendidos no Brasil tem baterias pequenas e não foi projetada para carga rápida DC. Alguns nem oferecem entrada CCS2. Quando têm, a potência é baixa — geralmente entre 18 kW e 40 kW. Para esses carros, a recarga noturna em wallbox AC de 7 kW já é suficiente na grande maioria dos casos.
| Modelo | Bateria | Potência máxima DC |
|---|---|---|
| BYD Song Pro DM-i | 18,3 kWh | ~18 kW |
| BYD Song Plus DM-i | 26,6 kWh | ~18 kW |
| BYD King DM-i | 15,9 kWh | ~23 kW |
| GWM Haval H6 PHEV | 19,9 kWh | ~40 kW |
| Caoa Chery Omoda 5 | — | Não disponível no Brasil (HEV) |
O Caoa Chery Omoda 5 vendido no Brasil é híbrido não plug-in (HEV), ou seja, não recarrega pela tomada. Por isso não faz sentido incluí-lo em uma discussão de carga DC. Já o GWM Haval H6 PHEV aceita carga rápida, mas ainda assim em potência modesta.
A regra dos dois bicos: quando 60 vira 30
Outro ponto que confunde muita gente: a potência anunciada do carregador é a potência total da unidade, não a potência por bico. Quando o equipamento tem dois conectores e dois carros estão carregando ao mesmo tempo, essa potência é dividida.
- Carregador de 60 kW com 2 bicos: 30 kW + 30 kW quando há dois veículos.
- Carregador de 120 kW com 2 bicos: 60 kW + 60 kW quando há dois veículos.
- Carregador de 180 kW com 2 bicos: 90 kW + 90 kW quando há dois veículos.
- Carregador de 40 kW com 1 bico: entrega os 40 kW inteiros para um único veículo, sem divisão.
Isso muda completamente o cálculo de retorno. Um posto de 120 kW com dois bicos, quando lotado, entrega 60 kW para cada carro. Se a frota local tem muitos BYD Dolphin Mini (limite de 40 kW), um carregador de 40 kW com um bico é mais barato e entrega a mesma experiência. Já se o público for de Ioniq 5, EV6 e Taycan, faz sentido investir em 120 kW, 180 kW ou mais.
Como escolher a potência certa para um eletroposto
A escolha da potência deve partir do mix de veículos que vão usar o ponto. Em shoppings, condomínios e empresas, onde a permanência é longa, carregadores AC de 7 kW a 22 kW já atendem bem. Em postos de estrada e redes de recarga rápida, onde o motorista quer sair rápido, carregadores DC de 60 kW a 180 kW fazem mais sentido.
- Se o público for majoritariamente compactos e híbridos: DC de 40 kW a 60 kW é suficiente.
- Se houver intermediários e SUVs premium: DC de 120 kW a 150 kW é o ponto ideal.
- Se o ponto for em corredor de viagem com carros de luxo: considere 180 kW a 350 kW.
- Sempre verifique se o carregador tem um ou dois bicos e como é feita a divisão de potência.
A Apollo Energy projeta eletropostos considerando o perfil real de tráfego, não só a potência de marketing. Dessa forma, o investidor não paga por carregadores que os carros da região não conseguem aproveitar.
Perguntas frequentes
Um carregador de 120 kW carrega qualquer carro em 20 minutos?
Não. O tempo de recarga depende da potência máxima que o carro aceita. Um BYD Dolphin Mini, por exemplo, limita a carga a 40 kW, então um posto de 120 kW não muda o tempo dele.
Por que alguns carregadores de 60 kW entregam só 30 kW?
Porque a potência anunciada é o total da unidade. Se o carregador tem dois bicos e há dois carros conectados, a potência é dividida: 30 kW para cada um, em um posto de 60 kW.
Vale a pena instalar carregador de 350 kW no Brasil?
Só em corredores de viagem com alta presença de carros premium que aceitem 250 kW ou mais. Para a maioria dos eletropostos urbanos e rodoviários, 120 kW a 180 kW atende bem e tem custo de instalação muito menor.
Híbridos plug-in precisam de carregador DC?
Na maioria dos casos, não. A bateria desses modelos é pequena e a recarga noturna em wallbox AC já é suficiente. Quando têm carga DC, a potência é baixa — entre 18 kW e 40 kW.
Um carregador de 40 kW com um bico entrega menos que um de 120 kW?
Para um carro que só aceita 40 kW, entrega exatamente a mesma coisa. A vantagem do 120 kW só aparece para veículos que conseguem absorver mais de 40 kW, como Ioniq 5, EV6, Taycan e EQS.
