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Como montar um eletroposto: investimento, receita e viabilidade

Resposta rápida

Montar um eletroposto com dois carregadores DC de 60 kW custa entre R$ 250.000 e R$ 500.000, incluindo equipamentos, entrada de energia, obra civil e plataforma de gestão. Com tarifa média de R$ 2,20/kWh e três a cinco sessões por carregador ao dia, o retorno costuma ficar entre 3 e 5 anos — muito sensível ao custo da demanda contratada e à taxa de ocupação.

Eletroposto é um negócio de utilização, não de equipamento. O carregador é o item mais visível do investimento, mas quem define a viabilidade é a quantidade de kWh vendidos por dia e o custo da energia que você compra.

1. Escolha do local

  • Fluxo e permanência: postos de rodovia querem carga rápida; shoppings e supermercados aproveitam a permanência natural de 1 a 2 horas.
  • Disponibilidade elétrica: um DC de 60 kW exige entrada compatível. Verifique a demanda disponível antes de assinar contrato de locação.
  • Visibilidade e acesso 24h — o eletroposto vende também para quem passa e decide na hora.

2. Definição de potência

PerfilEquipamentoTempo por sessão
Destino (shopping, hotel)AC 22 kW1 – 3 h
Urbano de giro rápidoDC 60 kW30 – 50 min
Corredor rodoviárioDC 120 – 180 kW15 – 25 min

3. Investimento típico

ItemFaixa
Carregador DC 60 kW (cada)R$ 120.000 – R$ 220.000
Entrada de energia, transformador e proteçãoR$ 40.000 – R$ 150.000
Obra civil, base, cobertura e sinalizaçãoR$ 20.000 – R$ 80.000
Plataforma de gestão e meios de pagamentoR$ 200 – R$ 600 por ponto/mês

4. Modelos de tarifação

  • Por kWh: o modelo mais justo e o mais aceito pelo motorista. Exige medidor confiável e transparência na plataforma.
  • Por tempo de conexão: útil para desestimular carro parado ocupando o ponto depois de carregado.
  • Híbrido: kWh + taxa de ociosidade após o fim da recarga — hoje é o padrão dos operadores maduros.
  • Assinatura ou tarifa preferencial para frotas e clientes recorrentes.

5. Cálculo de viabilidade

Use a conta simples: (tarifa de venda por kWh − custo de energia por kWh) × kWh vendidos por mês − custos fixos. Com dois DC de 60 kW, 4 sessões/dia por ponto e 25 kWh por sessão, são cerca de 6.000 kWh/mês. Com margem líquida de R$ 0,90/kWh, isso gera aproximadamente R$ 5.400/mês de contribuição — daí saem demanda contratada, aluguel, manutenção e plataforma.

6. O erro mais caro

Subestimar a demanda contratada. Um DC de 120 kW ligado por poucos minutos em horário de ponta pode registrar um pico que se paga na fatura pelos doze meses seguintes. Gestão de energia, limitação de potência por horário e, em alguns casos, baterias de amortecimento fazem diferença direta no resultado.

Perguntas frequentes

Preciso de autorização da ANEEL para vender recarga?

Não. A recarga de veículos elétricos é atividade livre no Brasil desde a Resolução Normativa ANEEL nº 819/2018: qualquer pessoa física ou jurídica pode vender energia para recarga e definir livremente o preço, sem precisar ser concessionária.

Qual a taxa de ocupação realista no começo?

Em pontos urbanos novos, é comum começar com 1 a 2 sessões por dia por carregador e evoluir para 4 a 8 ao longo de 12 a 24 meses, conforme a frota elétrica cresce na região e o ponto ganha reputação nos aplicativos.

Vale a pena instalar AC junto com DC?

Sim, na maioria dos casos. O AC custa uma fração do DC, atende quem vai ficar mais tempo no local e evita que carros de permanência longa ocupem o carregador rápido.

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